segunda-feira, 9 de julho de 2012

CAMPOS, TERRA DE BAMBAS




Humberto Moreira Rangel
 O Samba, que acaba de ser reconhecido como patrimônio cultural brasileiro e é fator de identidade nacional. É também, orgulho e referência campista, pois possuímos diversos conterrâneos que honraram, fizeram e fazem muito para que este reconhecimento acontecesse. Por isso é que podemos bater no peito e dizer: Campos, Terra de Bambas.
Veja a nossa galeria:
1 – WILSON BATISTA
A maior expressão do samba campista. Nasceu em 13 de junho de 1913, estudou na Escola de  "Aprendiz e Artíficies", fez parte do Grupo “Corbeille de Flores”, em Campos.
Cedo foi para o Rio de Janeiro, onde passou a frequentar os bares e cabarés da Lapa e da Praça Tiradentes, ponto de encontro da boemia carioca, na época.
O primeiro samba de Wilson gravado, foi “Na Estrada da Vida”, cantado por Aracy Cortes, então cantora mais famosa do Brasil. O primeiro sucesso foi “Desacato”, em parceria com Paulo Vieira e Murilo Caldas, música gravada pela dupla Francisco Viola – o famoso Chico Viola – e Castro Barbosa.
Freqüentador da Lapa e Praça Tiradentes, aprendeu a dar valor à malandragem, jeito de vida que exaltou no sucesso “Lenço no Pescoço”, terceira gravação, cantada por Silvio Caldas. Dando início a famosa polêmica com Noel Rosa. Noel, que era branco e de classe média, fez com que a crítica olhasse a obra do campista com má vontade, pois Wilson era negro e pobre.
Wilson Batista é autor de grandes sucessos, como:“Louco”,“Emília”,“Pedreiro Valdemar”,
Balzaquiana”, “Mundo de Zinco”,”Chico Viola”, “Bonde de São Januário” e o “Samba Rubro Negro” –“Flamengo joga amanhã eu vou pra lá/ Vai ser mais um baile no Maracanã” ..-, que registrou a sua paixão pelo clube da Gávea.
Quando morreu, em 7 de julho de 1968, estava consagrado. Está enterrado no Cemitério do Catumbí, no Rio de Janeiro.
Vale lembrar, que o sucesso de Wilson era tão grande que ele vivia sendo perseguido por um violonista baiano, querendo uma chance. Era o hoje famoso João Gilberto.

2 – DÉLCIO CARVALHO
Nascido em 8 de março de 1939, começou a cantar no Programa do Jece Valadão, na Rádio Cultura de Campos. Fez parte da famosa Orquestra do Cícero Ferreira, enquanto estudava alfaiataria na Escola de “Aprendizes e Artífices”- hoje Cefet -.
Em 1958, foi servir ao Exército, no Regimento de Cavalaria e Guardas, onde foi “crooner”, da banda.
No Rio, começou a frequentar vários programas de rádio. O primeiro sucesso veio com “Esperanças Perdidas”. Depois, os sucessos como: “Sonho Meu”, “Acreditar”, “Alvorecer”, “Amor sem Esperança”, “Sorriso de Criança”, “Minha Verdade”, todos em parceria com a Dona Ivone Lara. Com outros autores, fez: “Igual a Flor”, “Velha Cicatriz”, “Quando a Paixão me Dominar”,”Meu Escudo”, “Vendaval da Vida” e tantos outros.
Délcio continua sendo o bom camarada, compondo cada vez mais, músicas que ficarão na lembrança de todos nós. Ele acaba de obter o patrocínio da Petrobrás para a gravação de três CD's, contendo 42 músicas, entre inéditas e conhecidas, para deleite de seus admiradores.

3 – ROBERTO RIBEIRO
Nascido em 20 de julho de 1940. Estudou no Grupo Escolar João Pessoa e trabalhou na Padaria Império, enquanto participava de vários programas de calouros, nas rádios Cultura, Continental e Difusora, de Campos. Ainda aqui, cantou como profissional nas boates “Escorre Sangue”, “Paraíso Perdido”e “Dadá”
Foi goleiro dos juvenis do Rio Branco e do Goytacaz. Daí sendo levado para o Fluminense do Rio de Janeiro, onde jogou ao lado de outros campistas, como: Evaldo, hoje subsecretário de Esportes de Belo Horizonte; João Francisco, que depois foi ídolo no Rio Branco, de Vitória-ES, onde vive.
Não deu sorte no futebol, mas continuou no Rio e logo em seguida foi contratado por Sargentelli, para cantar na boate Oba-Oba. Apresentou-se ainda, nas boates Pujol, Plaza e nas do Beco das Garrafas. Por cinco anos, fez parte do Projeto “Noitadas de Samba”, do Teatro Opinião, onde também parcipavam: Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Nelson Sargento e o Conjunto Nosso Samba.
Desde 1959 integrava a Ala dos Compositores da Império Serrano e com competência, conquistou o lugar de “puxador” de samba-enredo da verde- e- branco, de Madureira, onde permaneceu por dez anos.
Em 1971, Adelson Alves, da Rádio Globo, produziu um LP, com o título “Quem Samba Fica”, com gente do quilate de João Nogueira, Dona Ivone Lara, Haroldo Melodia, Naldinho da Ilha, onde o maior destaque foi o nosso Roberto Ribeiro.
Em 1973, com os irmãos Norival, Flávio, Natal e Maciel, formou o Grupo Família, que acompanhou Roberto por 10 anos.
Ele contribuiu com a fundação do Clube do samba, junto com João Nogueira, Ney Lopes, Dona Ivone Lara, Monarco e o campista Délcio Carvalho.
Em 1972, sagrou-se vencedor do samba-enredo “Alô, Alô, Taí Carmem Miranda”, quando foi eleito ainda o melhor puxador na avenida, ganhando o Estandarte de Ouro, do jornal O Globo.
Em !975, lança o 3º LP, tendo como carro chefe “Estrela de Madureira”. Outros grandes sucessos de Roberto, foram: “Todo Menino é um Rei”, “Acreditar”, “Vazio”, etc

Em 8 de janeiro de 1996, faleceu em conseqüência de um atropelamento, no Largo do Anil, em Jacarepaguá.


4 - JOEL TEIXEIRA
Nascido em 3 de maio de 1948, o sambista se revelou no Programa de Herval Manhães, da Rádio Campista Afonsiana, atual Record. Filho caçula de Júlia Claudino e Pedro Teixeira Filho.
Foi criado na rodas de jongo que sua mãe promovia, no quintal de casa, em Ururaí. Antes de chegar as rádios, cantou em Parques de Diversão e Circos.
Com 17 anos, fugiu para o Rio de Janeiro, na carona de caminhão. Na mesma semana se inscreveu como calouro no “Programa do Chacrinha”, na Tv Excelsior. A música cantada
Opinião”, de Zé Kéti, com a qual foi o melhor calouro da noite, serviu de passaporte para
o programa “A Grande Chance”, de Flávio Cavalcanti, na Tv Tupi. A partir daí, Flávio foi o
maior incentivador da carreira de Joel, a quem deu o título de “defensor das mulheres”, por
causa das músicas “O Homem que Bate em Mulher é Covarde”, “A Mulher Merece Perdão” e
Mulher boa é a de Casa”.
Em 1975, gravou “Falsa Traição” e Quero ser seu Dono”. No ano seguinte, foi levado por
Zuzuca, para o Bloco Bafo de Bode, de Jacarepaguá, onde gravou o samba-enredo “Festa Juni
na em Dias de Carnaval”.
Contratado pela Odeon, em 1978, lançou o primeiro LP, chamado “Bom Dia Amor”, que fez sucesso no Brasil e no Japão, onde Joel, na ocasião, fez 33 apresentações. Desde então, os discos foram frequentes. Em 1979, lançou “Amanheceu”. Em 1980, “Quando o Sol Brilhar”, cuja música título, foi a mais executada no carnaval carioca daquele ano. Em 1982, “Ciúme de
Viola”. Em 1984, “Um Sorriso Amigo”, onde incluiu o samba “Minha Terra”, uma homena gem à mulher campista, composição feita em parceria com Mauro Silva e Noca da Portela, pa
ra o Bloco BRUC de Campos.
O maior sucesso da carreira de Joel, aconteceu com o lançamento do LP “Do Jeito que o Povo Gosta”, de 1985, com a música “Pagode do Compadre”. Outro grande sucesso foi “Mané
Carvoeiro”, com o disco “Bom de Pagode”, de 1988.
O último trabalho foi o show “Samba Sim Senhor”, dirigido por Paulo Moura, lançado em 1990, que percorreu diversas cidades brasileiras. A pesquisa e a escolha do repertório for-
ram feitas por Ricardo Clavo Alvim.
Ao falecer, em 2005, Joel Teixeira apresentava um programa diário, na Rádio Bandeiran tes, no Rio de Janeiro e preparava para lançar um outro disco.


5 – SEBASTIÃO MOTTA
Nascido em 19 de março de 1916, na Fazendinha, em Poço Gordo. O caçula de Antonia Cordeiro e Gervásio Rangel da Motta Vasconcelos, conhecido pelo apelido de “Sinhosinho”. Sebastião era neto do famoso “coronel” Chico Motta, proprietário da Usina Poço Gordo.
Com 14 anos, foi morar em Campos, onde estudou na Escola de Aprendizes e Artífices,
hoje CEFET. Em seguida, foi morar no Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Pedro II. De
volta a Campos, conseguiu o primeiro emprego: chefe de disciplina do Colégio Bittencourt. Foi
lá que conheceu Ruth, com que se casou em 1944. Tiveram 4 filhos: Júlio César, Marco Auré lio, Carlos Fernando e o caçula Paulo Virgílio.
Em 1952, começou a compor, incentivado por amigos. Em 1954, fez a primeira gravação, pe
la gravadora Continental, que tinha como Diretor Artístico, o compositor João de Barro, o com sagrado Braguinha. O arranjo, de Radamés Gnatalli e músicos como Chiquinho do Acor
deon e um pianista que estava iniciando, chamado Antonio Carlos Jobim.
Em seguida, as gravações as gravações de “Castigo do Céu” e “Fechei a Porta” - o maior sucesso de sua carreira, com mais de 80 gravações . Ambas na voz inconfundível de Jamelão:
Eu não quero mais amar/ Pra não sofrer ingratidão/ Depois do que eu passei/ Fechei a porta
do meu coração/ Eu dei pra ela, todo o carinho/ E no entanto acabei sozinho”. Outros sucessos
foram: “Cobra Venenosa”, “Rio, Quatrocentão”, “Dora” e “Nova Capital”, sucesso na voz das irmãs Linda e Dircinha Batista.
Na década de 60, Sebastião foi um bondoso chefe de disciplina, na Escola Agro- Técnica de
Campos, hoje Colégio Agrícola.
Faleceu em , deixando uma legião de amigos e um jeito todo elegante de viver. Para
melhor conhecer Sebastião, veja o que ele respondeu ao jornalista Winston Churchill, quando
perguntado como gostaria de ser lembrado no futuro, Ele respondeu - “gostaria de ser o nome de uma noite”-. Mais poeta, impossível.

6 – ALUÍSIO MACHADO
Nasceu em 13 de abril de 1939 e cedo foi para o Rio de Janeiro.
Em 1956, saiu pela primeira vez na bateria do Império Serrano, depois foi passista e segundo
mestre sala. Daí para a Ala dos Compositores foi um pulo. Mas na época, frequentava os shows do Teatro Opinião e por causa desses compromissos, foi afastado do Império, passando
10 anos, na Ala dos Compositores da Vila Isabel.
Em 1982, junto com Beto Sem Braço, que era da Vila, foi convidado para voltar para o Impé rio, onde logo emplacou o antológico “Bumbumpaticumbumpurungundum”, em dupla com o
Beto. Fizeram ainda, “Eu Quero”, “Mãe Baiana”, “Quem Não Se Comunica, Se Trumbica”,
Jorge Amado, Axé Brasil”, “Verás que um Filho teu, não Foge À Luta”, “Império Serrano,
um Ato de Amor”, “Heróis da Liberdade”.
De esquerda, Aluísio marcou o seu repertório com várias músicas de protesto, que lhe valeram
vários problemas com a censura.
Atualmente, Aluísio que é o maior vencedor de samba-enredo do Império Serrano, continua
compondo sambas geniais, agitando a quadra da verde e branco de Madureira e fazendo shows, por todo o Brasil.

Outros, com ligação com Campos:
CARTOLA
O genial sambista era carioca, nascido em 11 de outubro de 1908, no Palácio do Catete, onde seu pai, Sebastião de Oliveira, nascido em Morro do Coco, Campos, foi levado para o Rio, por Nilo Peçanha, quando este foi eleito vice presidente em 1906,
 na chapa com Afonso Pena. Agenor de Oliveira, era assim que se chamava o poeta, foi batizado por Nilo, que inclusive, presenteou
com a casa na Mangueira, quando este tinha 13 anos de idade, onde mais tarde, ajudou na fundação da Verde e Branco.
Cartola é o autor de: “As Rosas não Falam”, “Tive Sim”, “ Nervos de Aço”, “O Mundo é um
Moinho”,”Corra e Olhe o Céu”, e tantos outros sucessos.



PAULINHO RESENDE
Nasceu no Rio de Janeiro, vindo cedo com a família morar em Santa Maria, onde seu pai trabalhou na usina. Em seguida, veio estudar na Escola Agrotécnica, onde fez o ginásio. Em
Campos, morou na Rua Cândido Álvaro Machado, no Parque Leopoldina, onde cultivou e
ainda possui diversos amigos. Paulinho é autor, entre outros, desses sucessos: “Pelo Amor de Deus”, “O Imperador”, “Loba”, “Nuvem de Lágrima”, “Meu Ébano”, “Maria da Penha”,
etc.



MOCIDADE ALEGRE
A Escola Verde e Vermelha de São Paulo, vice campeã em 2008, foi fundada pelos irmãos
Juarez da Cruz e Salvador da Cruz, campistas que foram morar em São Paulo em 1948. Foi seu Juarez que colocou o nome em homenagem a sua escola de coração, em Campos, a “Mocidade Louca”. Ele foi o primeiro presidente, é ainda o presidente de honra e pai da atual presidente da Escola, a senhora Solange Cruz Bechara Resende.
A “Mocidade Alegre” inovou o carnaval paulista ao introduzir os destaque sobre os carros ale
góricos, adereços de mão e as alas coreografadas. A Escola ganhou destaque quando a sua rainha de bateria, a que toca tamborim, teve o adereço pegou fogo em plena avenida. A “Mocidade” possui os seguintes títulos em São Paulo:
  • 1969 – campeã do Grupo III
  • 1970 – campeã do Grupo II
  • 1971 – campeã do Grupo Especial
  • 1972 – campeã do Grupo Especial
  • 1973 – campeã do Grupo Especial
  • 1980 – campeã do Grupo Especial
  • 2004 – campeã do Grupo Especial
  • 2007 – campeã do Grupo Especial
  • 2008 – vice-campeã do Grupo Especial
A “Mocidade”, possui a sua sede, a chamada Morada do Samba, na Avenida Casa Verde, 3498, no bairro do Limão, na capital paulista e pode ser contactada pelo telefone (11) 3857
7525.

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