domingo, 12 de maio de 2013

É nada...



"Para se tornar verdadeiramente grande, é preciso estar ao lado das pessoas, e não acima delas."
Montesquieu

Não muito raro tenho a mania de me retrair para refletir sobre o aprendizado  em experiências acumuladas ao longo do tempo. Nem sempre me dou muito bem, principalmente quando esbarro em fatos onde poderia ter sido mais sereno em certas condições. Porém, atualmente, nada me incomoda mais do que ter sido, na maioria do tempo, solícito em excesso. Quantas vezes optei por me anular para deixar que amigos cabisbaixos se soerguessem...Quantas vezes fingi não saber a verdade enquanto ouvia mentiras e deformações da realidade que afetavam a minha própria existência ou dos meus para evitar constrangimentos. Quantas vezes me fiz de inferior para deixar que se pensassem fortes e absolutos...E continuo fazendo,parece que não tenho mesmo jeito!!! Mas, afinal, por que se permite que tantas pessoas assim cruzem os nossos caminhos? Difícil responder. Sem essa de para-raios. É permissividade sim.  
Não é a toa que, ao ganhar ainda jovem, da então acadêmica de medicina Meire Moreno, O Estrangeiro, não me afastei mais do grande Albert Camus. Mais profundamente na sua capacidade de perceber que a humanidade se resolve por suas culturas e padrões, enquanto o universo nos ignora em nossa pequenez. Esta, com certeza, é a relevância que determinou e determina  a inversão que me permiti diversas vezes. Parece até prepotência no primeiro momento. Mas não é. É indiferença ou talvez pena — um sentimento que comumente atravanca o desenvolvimento natural do ser pelas decisões de cunho mais sentimental (na qual se alia a vontade de ajudar à piedade) do que racional.
A ausência da racionalidade muitas vezes foi a minha aliada quando, pensando estar ajudando, tratava medíocres com as liturgias aplicadas aos mestres; reforçava, pelo meu silêncio cúmplice, a soberba destrutiva dos que se auto-julgavam ser o que nem passavam perto. Aplaudi lideranças inventadas que nasceram nas fantasias dos berços dourados onde apenas aprenderam a ser os príncipes encantados dos contos de fadas. E, aí, prejudicava os irrefletidos que pensavam ser alguém que nem trejeitos para tal tinham. 
E o pior: quando se descobrem realmente, precisam de um bode expiatório para justificar seus arroubos fracassados — e o pobre do bode será responsável pela incompetência; pelas consequências da deformação social positiva, o estar bem com deus e com o diabo; com a auto-primazia que lhe conduziu  à solidão radical ou a companheirismos convenientes. E por aí vai...
Mas como fazem bem estas pausas. Nem que sejam obrigatórias quando um pé entrevado por uma tendinite    obriga a ficar parado. Estancado e dependente de muletas e bengalas. Mas aí é você com o seu próprio corpo. Sem envolver ou culpar ninguém, a não ser a sua responsabilidade pelo seu próprio sedentarismo. O bom é que o estancar do corpo deixa a cabeça distante do mundo lá fora e nos permite mergulhar num universo de experiências protegidas pela inviolabilidade de cada um.
Passam-me pessoas que não entendem que ao serem recebidas e tratadas com presteza em alguns locais em que tomei conta, imputam-me o que é dever de qualquer órgão.
E mais, as amizades anônimas que surgem quando em vez, nos mais distintos momentos, relatando  ocasiões em que fui para eles "imprescindível", o que não é verdade, em situações que me orgulho de ter esquecido...
E a mim não chegam, mas permanecem, todos os que juntos formaram o mosaico que me compõe.   

imagem: Dante e Virgílio no Inferno, quadro de William-Adolphe Bouguereau.

Agenda:

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quinta-feira, 9 de maio de 2013

PV contrário ao "cura gay"

O Partido Verde reafirma seu posicionamento contrario ao Projeto de Decreto Legislativo 234/11 de autoria do deputado João Campos que vem sendo chamado pela imprensa de projeto da "cura gay", que retira dois artigos da Resolução Nº 01/99 do Conselho Federal de Psicologia que estabeleceu normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.

Apoiamos a nota de esclarecimento publicada no ultimo dia 7 de maio pelo Conselho Federal de Psicologia. 


O Partido Verde defende em seu programa a liberdade sexual, o direito do cidadão dispor do seu próprio corpo e a noção de que qualquer maneira de amor é valida e respeitável. 

Brasília, 9 de maio de 2013
Executiva Nacional do Partido Verde - 43


Veja a nota:






Nota de esclarecimento

Resolução do CFP não impede atendimento a pessoas que queiram reduzir seu sofrimento psíquico causado por sua orientação sexual

Em virtude de uma interpretação errônea da Resolução CFP 001/99 – que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual – o Conselho Federal de Psicologia esclarece que a norma não proíbe as (os) psicólogas (os) de atenderem pessoas que queiram reduzir seu sofrimento psíquico causado por sua orientação sexual, seja ela homo ou heterossexual, e nem tampouco, pretende proibir as pessoas de buscarem o atendimento psicológico.
De acordo com a regulamentação, em seu art. 1º, as (os) psicólogas (os) atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade, o que também está disposto no art. 2º do Código de Ética da profissão, que veda à categoria praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão.
Estão sim proibidos as (os) psicólogas (os) de exerceram qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, e adotarem ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. O que é corroborado pelo Código de Ética que em seu art. 2º, alínea i, que diz que é vedado à categoria induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços.
Ao publicar a Resolução, o CFP atuou de acordo com a sua função de normatização e de regulação da atividade profissional, conforme estabelecido na Lei nº 5.766/71, que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia. A tentativa de sustar a norma já foi matéria de decisão judicial da 15ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que entendeu que a Resolução não viola princípios legais e constitucionais, em maio de 2010.
Por fim, cabe salientar que a norma orienta os profissionais da Psicologia a não se pronunciar e nem participar de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica. De forma alguma, essa orientação fere o direito de liberdade de expressão dos psicólogos, pelo contrário, ela defende o respeito aos direitos humanos e às diferentes formas de manifestação da sexualidade humana.

Verdade!!


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Na UENF: Ênfase antitrote na abertura do ano letivo



UENF espera abertura tranquila de ano letivo
Com ênfase ainda maior na campanha contra o trote vexatório ou violento, o ano letivo de 2013 na UENF começa nesta segunda, 06/05/13. Melhor universidade do Rio na pontuação do Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC, a UENF conta, neste ano, com o reforço de nova legislação de prevenção ao trote.
De acordo com a Lei Estadual 6.436/13, publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 16/04/13, universidades estaduais e instituições particulares sediadas no Estado do Rio de Janeiro ficam obrigadas a alertar calouros e veteranos de que trote baseado em “violência ou grave ameaça” é crime. A lei define até o tamanho dos cartazes, seu conteúdo e as características das letras (fontes). O cartaz informa ainda o telefone da Polícia Militar (190) para denúncias.
Mesmo antes das novas regras, que se somam às diretrizes da Lei 2.538/96, a UENF tem feito campanhas sistemáticas contra o trote a cada início de ano letivo. Através de cartazes, panfletos, faixas e mensagens diretas ou pela internet, a UENF disponibiliza um número de telefone de ligação gratuita (0800 025 2004) e um e-mail ( trotenao@uenf.br) para reclamações. Até hoje não houve registro de problemas.
- A grande dificuldade é definir um consenso sobre os limites entre uma brincadeira saudável, desejada pelos calouros, e eventuais abusos dos veteranos. Os calouros não são obrigados a participar de qualquer atividade do gênero e, quando desejam, são eles que definem os limites – afirma a pró-reitora de Graduação, Ana Beatriz Garcia.
Ascom/UENF

Magistério: Pesquisa da USP mostra desinteresse de alunos em seguir a carreira



Agência Brasil
Brasília – Uma pesquisa feita na Universidade de São Paulo (USP) mostra que metade dos alunos de licenciatura nas áreas de matemática e física não pretende ou tem dúvidas quanto a seguir a carreira de professor de educação básica. Dos que cursam licenciatura em física, 52% não pretendem ser professores ou tem dúvidas. Em matemática, o percentual é 48%. A pesquisa ouviu um total de 512 estudantes recém-ingressantes da USP, incluindo também alunos de pedagogia e medicina.
A pesquisa Atratividade do Magistério para a Educação Básica: Estudo com Ingressantes de Cursos Superiores da USP, da pedagoga e mestre em educação pela Faculdade de Educação da USP Luciana França Leme selecionou as duas disciplinas de licenciatura em função da escassez de professores nas áreas de exatas. A estimativa do Ministério da Educação (MEC) é que o déficit de professores nas áreas de matemática, física e química seja de cerca de 170 mil.
A baixa remuneração do magistério, as más condições de infraestrutura das escolas e o desprestígio social da profissão estão entre os motivos apontados pelos estudantes para a falta de interesse em seguir a carreira. Segundo a pedagoga, a dificuldade de implementar em sala de aula o ensino da matemática e da física e a concorrência com profissões como as do mercado financeiro também afastam das salas de aula quem se forma nessas áreas.
“Pesquisados disseram que escolheram o curso porque gostam de matemática e física. Mas gostar é uma coisa, outra é o ensino dessas matérias que engloba habilidade como o pensar a matemática, as ciências, e saber ensinar a matemática e verificar como o aluno está aprendendo”, destacou. “Outro fator é o mercado de trabalho. Um aluno formado na USP, nessas disciplinas, pode trabalhar com pesquisa, pós-graduação, no mercado financeiro. A profissão de docente acaba concorrendo com outras opções”, disse Luciana França Leme. A questão de gênero também é apontada pela pesquisadora. “Física e matemática tem muitos alunos homens e as mulheres seguem mais a carreira de professor.”
Na avaliação da pesquisadora, reverter esse quadro de desinteresse pelo magistério requer um plano de atratividade com metas claras e de longo prazo. “É importante uma articulação de vários fatores, igualar os salários com os de profissionais com a mesma formação, reconhecimento e fortalecimento profissional, e despertar o interesse pela profissão ao longo da vida estudantil”, disse.
A carência de professores nas áreas de exatas como matemática, física, química e biologia é uma preocupação do Ministério da Educação (MEC) que elabora um programa para, desde o ensino médio, atrair os estudantes a seguirem o magistério nessas áreas. O programa terá oferta de bolsas de auxílio e parceria com universidades, como adiantou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados, em abril.

Reportagem: Yara Aquino - Edição: Lílian Beraldo