terça-feira, 22 de maio de 2012

Parabéns, Amanda...

...Que por toda a sua vida haja um caminhar tranquilo e sereno sempre na direção do bem e da harmonia.
'Tá legal...atendendo a pedidos e matando a curiosidade: Amanda D'Alessandri Muylaert é a caçula e está completando uma dúzia de anos de vida.

O Relógio


Por Arlindenor- Sentado da sua mesa podia olhar o Relógio,que imponente dominava aquele trecho da cidade. Tec, tec, tec, o barulho das máquinas de escrever ia se perdendo, transportando-o, fazendo com que a realidade ficasse mais longínqua; fazendo-o viajar para fora da seção. Não sabia explicar, mas desde pequeno, quando fitava aquele Relógio, como naquele momento, sua alma se enchia de emoção. As vezes, quando sua avó levava-o até a cidade, surpreendia-se em estado de tensão, aguardando que o trem chegasse à primeira curva, de onde podia avistar uma de suas faces. E, quando ao longe ele ia surgindo, enorme, branco, com rapidez acertava o seu relógio de pulso, brinquedo dado pelo tio Reinaldo, que sempre o acompanhava nos dias de ir até a cidade – dias de festa. Jamais se esqueceu daquele dia, quando sua mãe levou-o à casa de uma amiga em Copacabana e ele pode vê-lo, pela primeira vez à noite. Foi demais! Estava todo aceso: seus enormes ponteiros e números destacando-se na escuridão do céu. Enormes, marcando as horas: quinze para às oito, ainda se lembra.
Agora, olhando para o Relógio, depois de tanto tempo, sorria ao relembrar a idéia que dele faziam. Via, agora que não era tão grande assim, nem mesmo tão bonito. Talvez os olhos de uma criança vejam as coisas diferentes…mais bonitas, maiores! Ao longo dos tempos passara a ouvir muitas histórias sobre ele. Passou, como muita gente, a associá-lo à vida da cidade, aos constantes atrasos dos trens. Convenceu-se que eram verdades as coisas engraçadas que contavam, colocando-o como único responsável nos atrasos dos empregados, das músicas que faziam a esse respeito. Mas, mesmo assim, admirava-o. Tinha por ele um grande carinho. Via-o como um amigo, que dali, mudo e impassível, acompanhava a sua vida, pois, tinha sido o espectador sempre presente em momento importantes da vida nacional. Podia imaginá-lo a assistir, lá do alto, aos desfiles, as bandeiras vermelhas, a luta pelo petróleo, a queda de Vargas, o suicídio, o governo Dutra, as repressões aos trabalhadores, aos assassinatos. Ele assistira derramar-se à sua volta as greves, as manifestações na Central do Brasil, o quebra-quebra do bondes. O governo do Juscelino, a mudança de capital. E agora, olhando para ele, daquela janela de repartição pública, voltou a lembrança daquele dia que, ainda pequeno, levado por mãos de quem não se lembra, participou da homenagem que fizeram ao presidente americano que chegara ao Rio. Ficou marcado que os gritos de “I like lke “não foram escutados nas imediações da Central, reduto de operários.
Por uma dessas obras do destino, quando chegou a época de cursar a escola secundária, época em que alargou seus horizontes para além do bairro suburbano em que vivia, foi num colégio do estado- o Orsina da Fonseca, exatamente ao lado da Central, que passou a estudar. E lá, bem no alto, defronte a sua janela, estava o seu amigo. Passava horas e horas, largado olhando para ele, sem prestar atenção nas intermináveis palestras em francês de Dona Tora, elegantíssima professora de francês que todo dia chegava ao colégio num reluzente Mercedes da embaixada, prerrogativa de quem era mulher de embaixador. Quando o professor Bayard fazia aquelas suas críticas ao governo, atacando o Lacerda, todos na sala olhavam rindo para ele, entendendo o que queria dizer quando o associava aos atrasos no pagamento do magistério estadual. Uma vez, recorda-se, quando na aula de fantoches do mestre Belan, pediram-lhe que escrevesse uma historieta para ser apresentada no auditório de colégio, foi sobre o seu amigo que escreveu. E a Maria Adélia, a portuguesinha de coxas grossas que morava na rua do Jogo- da- Bola? Era no Campo de Santana aonde iam namorar, as mãos dadas, o sexo explodindo por entre as calças, matando aula, o olho controlando as horas para pegar o bonde Uruguai-Engenho Novo, com os amigos do Pedro II! Ufa…que aventura!
Num dia de agosto, qual não foi sua surpresa, quando chegou ao colégio e viu que ele estava tomado por tanques enormes, contingentes de soldados armados, caras com graxa, em trincheiras, canhões antiaéreos. Não houve aula. Todos foram mandados de volta para casa porque o presidente tinha renunciado e ninguém sabia o que iria acontecer. Depois disso, sempre que chegava cedo, dava um pulo ao centro da praça que separava o colégio da Central, para ver de perto a troca de guarda do Panteon, onde os soldados levavam bandas e flores para o Duque de Caxias.Momentos de excitação para uma criança!
Foi com tristeza que um dia teve que abandonar o colégio, pois fora transferido para outro na Tijuca, longe da Central e da cidade. Mas, sua vida ainda continuaria ligada ao Relógio
À seus pés, levado pelo jornalista Muniz Bandeira, assistiu ao grande comício da Central, onde se diluiu na multidão de operários, camponeses e estudantes que, aos milhares, fluíam ao redor de um grande palanque para ouvirem as palavras de homens como Arraes, Brizola e outros. Já rapaz, qual sonâmbulo, andava de um lugar para o outro, bebendo as palavras, os comentários e os gritos extasiados com o número enorme de pessoas, pois, nunca tinha assistido a alguma coisa como aquela. Olhou para cima. Soberbo, lá estava o seu amigo, e preso ao edifício da Estrada de Ferro, um enorme painel do presidente Jango que, dias depois, seria derrubado e partiria para o exílio.
Numa tarde chuvosa, no dia 1º de abril, horrorizado em frente ao Campo de Santana, assistiu às metralhadoras atirarem nos estudantes do Caco, deixando corpos na calçada, abrindo caminho para que as tropas do general Mourão pudessem ocupar a Praça da República.
Quantas coisas esse Relógio não testemunhou. O silêncio geral. As paradas comportadas do 7 de setembro, as pessoas indo para o trabalho, o carnaval!
Num dia, em 1968, assistiu, junto com ele, a um inflamado discurso do Wladimir, que em frente ao STM, levado por milhares de pessoas, exigia a libertação dos presos políticos. E, anos mais tarde, achava graça daquilo tudo, olhando para o seu amigo não mais das ruas, mas de uma janela de sua cela no DOPS, na Rua da Relação, onde podia avistá-lo ao longe, nas intermináveis noites de sua incomunicabilidade.
Quis o destino que trabalhasse numa janela que desse frente para ele, e nas enfadonhas tardes de burocrata se pergunta: quantas coisas aconteceram, quantas coisas acontecerão ainda e que ele registrará?
Por sobre a cabeça de seu amigo, na torre, a bandeira nacional tremula à meio-pau, na última homenagem a Juscelino que se foi. É a história! É ahistória .
Arlindenor Pedro é professor de história e Especialista em Projetos Educacionais. Anistiado por sua oposição ao Regime Militar dedica-se na atualidade  à produção de flores tropicais na região das Agulhas Negras. 
E-mail para contatos e agendamento de palestras : arlindenor@newageconsultores.com.br
Blog: arlindenor.wordpress.com

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Transportes coletivos em seminário nesta terça na UENF



A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UENF promove nesta terça, 22/05, às 14h, o seminário “Gerenciamento da manutenção em Transportes Coletivos na Cidade de Campos dos Goytacazes“. O seminário será ministrado pela professora Camila Mendonça Romero Sales no Auditório 2 do P5. O evento é aberto a todos os interessados.

Do BLOG:

Até que enfim uma instituição não ligada à Prefeitura resolve analisar a catastrófica situação do transporte coletivo em Campos. Esperamos que não haja maquiagem nas falas para tentar esconder as mazelas de quem necessita deste tipo de serviço- na verdade, todos necessitamos, é uma questão de consciência ambiental.
Nunca, antes da passagem a 1 real, Campos viveu tanta insegurança no que se refere ao Transporte Coletivo. Supostos desvios... greves, prejuízos para todos e uma qualidade que asfixia. . Ora bolas, se há realmente um serviço eficiente e barato, qual a razão para ser complementado por alternativos?

Leia no link abaixo importante matéria sobre os ônibus:
http://reliquiasetunados.blogspot.com.br/2009/08/blog-post_9771.html

Dilma se reúne com ministros para se posicionar sobre Código Florestal


Dilma
Dilma tem até o dia 25 deste mês para sancionar ou vetar o texto do novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados
Os possíveis vetos ao novo texto do Código Florestal foi tema de reunião que presidentaDilma Rousseff teve no sábado com vários ministros, no Palácio da Alvorada. Ao longo da semana, Dilma e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, já haviam se reunido três vezes para tratar do tema.
A presidenta Dilma tem até o dia 25 deste mês para sancionar ou vetar – parcial ou totalmente – o texto do novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados. O texto do Congresso Nacional chegou à Casa Civil no último dia 7.
Na reunião de ontem no Palácio da Alvorada estiveram presentes as ministras do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; da Comunicação Social, Helena Chagas; e os ministros Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário; Mendes Ribeiro, da Agricultura; e Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União.
O texto do novo Código Florestal aprovado pelos deputados desagradou ambientalistas e não era a versão que o Palácio do Planalto esperava aprovar. Durante a tramitação no Senado, o governo conseguiu chegar a um texto mais equilibrado, mas a bancada ruralista na Câmara alterou o projeto e voltou a incluir pontos controversos.
Entre os pontos polêmicos da nova redação da lei florestal está, por exemplo, a possibilidade de anistia a quem desmatou ilegalmente e a redução dos parâmetros de proteção de áreas de preservação permanente (APPs).
O veto presidencial pode ocorrer por razões políticas, quando o projeto ou parte dele é considerado contrário ao interesse nacional, ou por motivos jurídicos, quando o texto ou parte dele for inconstitucional. O veto é analisado pelo Congresso Nacional e pode ser derrubado se houver maioria absoluta no Senado e na Câmara.
(Correio do Brasil)

domingo, 20 de maio de 2012

ONU faz 56 recomendações para que a Rio+20 tenha avanços concretos



 (UNIC Rio/Diego Blanco )
A versão em português do relatório “Povos Resilientes, Planeta Resiliente” foi apresentada na manhã desta sexta-feira (18/5), na sede do Itamaraty, no Rio de Janeiro. O foco principal do documento são os novos modelos de governança, baseados em desenvolvimento social, fortalecimento econômico e sustentabilidade ambiental, que devem nascer a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em junho.


Única brasileira a compor o painel, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, classificou o documento como projeto audacioso. "É a nossa primeira sinalização política, em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon entendeu que deveria convocar um painel de alto nível para olhar a questão da sustentabilidade e gerar um conjunto de recomendações, muitas delas audaciosas, ambiciosas", ressaltou.


O Secretário-Executivo do GSP, Janos Pasztor, destacou a necessidade de envolvimento de todos os setores da sociedade para que o projeto saia do papel e passe para ações rápidas e concretas. “A contribuição da ciência é fundamental e parcerias entre as diferentes áreas de atividade humana e do conhecimento devem ser realizadas”, afirmou.


Guia para o debate
O relatório, produzido pelo Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global (GSP) - grupo de trabalho criado por Ban Ki-moon em agosto de 2010 -, é um importante guia para o debate que ocorrerá no antes, durante e depois da Rio+20. As mais de cem páginas apresentadas pelo grupo mostram principalmente que, apesar de o PIB mundial ter aumentado 75% de 1992 a 2010, as disparidades entre o PIB per capita dos países desenvolvidos e em desenvolvimento aumentaram no mesmo período.


Confira a coletiva na íntegra:
http://www.onu.org.br/img/2012/05/gsp_coletiva_18-mai2012.mp3


Confira as perguntas dos jornalistas:
http://www.onu.org.br/img/2012/05/gsp_perguntas_18-mai2012.mp3


Leia o resumo executivo:
http://www.onu.org.br/docs/gsp-resumo.pdf


Leia o documento na íntegra:
http://www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf
(Correio Braziliense /Jacqueline Saraiva)

sábado, 19 de maio de 2012

São Francisco de Itabapoana: "Olha para o céu, Frederico"



A situação eleitoral em SFI é, no minimo, sui generis. Na sexta-feira (11) estivemos naquele município conduzindo o presidente regional do Partido Verde, Fernando Guida, ao lançamento do movimento em prol do nome de Pedrinho Cherene como pré candidato a prefeito.
Ele chegou ladeado do presidente do Partido Republicano de Campos dos Goytacazes e do deputado federal do mesmo partido, Paulo Feijó. Embora o PR não faça (ainda) parte da futura coligação que se desenha para apoiar o ex-secretário de saúde e filho do ex-prefeito Pedro Cherene e o fato da vaga de vice estar sendo guardada - diga-se de passagem que a mesma serviu de moeda de cooptação para algumas agremiações - levou-se a pensar que seria exatamente para o partido do ex-governador. Talvez deixar o PR por último tenha sido uma estratégia para não espantar partidos que tradicionalmente não se alinham com o modo de fazer política dos seus dirigentes. Mais ou menos como aconteceu com a campanha da atual prefeita de Campos, que seu marido teve que se esconder para "não espantar a mosca".
Agora, com o novo prefeito, Frederico, do PR, como se desatar este nó?

Caso Veja: Ecos do passado


Cachoeira
Toda a direção da revista Veja envolvida com a máfia do Cachoeira
A História tem seus ciclos e estes tendem a se repetir. Porém, quando não tratada com seriedade e atenção, quando os fatos evidenciados em algum período não são devidamente esmiuçados e levados em conta pela sociedade, eles se repetem mais rapidamente. Com este nariz de cera assumido, pretendo desaguar nos fatos vindos à tona agora, com a CPMI do Carlinhos Cachoeira, com relação à revista Veja.
O que a revista Veja fez, nada mais é do que a repetição dos métodos de atuação do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipês), no período compreendido de 1962 a 1964, quando amparado de forma escancarada pela mídia, atingiu o seu objetivo: o golpe.
Foi desta e de outras formas, tais como as gordas doações para reforçar os cofres do instituto, que a sociedade civil participou da derrubada do presidente João Goulart.
Tivesse ele um cenário intrincado para governar, ou limitações para conduzir o momento político delicado, foi a campanha desenfreada, custeada por empresários, multinacionais e simpatizantes (incluindo os donos de veículos de Comunicação), que minaram o seu poder e despertaram na sociedade a ânsia por mudanças. Fosse da forma que fosse.
E da maneira que foi, um golpe, os destinos do país caminharam para os rumos sombrios que agora conhecemos e começamos a autopsiar. Esse é o risco. No calor da hora ninguém vislumbra a tragédia que está a um palmo do nariz. Importa apenas impor seus interesses e surrupiar o poder. E poder, hoje, não se limita à cadeira de presidente. Já se sabe. Pelo muito ou pouco que se ouviu das gravações vazadas, sabe-se que o poder hoje é o casamento da política com a economia, e de forma espantosa.
Ao mapear pioneiramente o incrível sistema montado por Golbery do Couto e Silva no Ipês, que acabaria desembocando na vitória do golpe, o cientista político René Armand Dreifus, (1964: A Conquista do Estado – Ação Política, Poder e Golpe de Classe – lançado em 1981) nos apontou a fórmula que hoje é usada por Veja. Outros autores trataram do tema, e em meu livro: Propaganda e Cinema a Serviço do Golpe, lançado em 2001, o assunto voltou a ser enfocado, desta vez aproximando a lupa na direção desse resultado: a atuação da mídia e do cinema enquanto armas de convencimento. Para o bem ou para o mal.
Não foi, portanto, falta de aviso, de que o método era eficiente. Quero crer que houve, sim, um alheamento conveniente, já que “os tempos eram outros”. Eram, mas o vento sempre pode virar. Com outra roupagem, agora com o auxílio de tecnologias mais sofisticadas, mas a mesma intenção: o poder. O que o grupo de Cachoeira não avaliou, no entanto, foi que a tecnologia pode falhar (vide o Nextel que permitiu o grampo, quando não era o esperado), ou pode trabalhar, agora, a favor dos caluniados. Não apenas os “grampos”, que isto é do tempo dos arapongas, mas a Internet, que está aí para infernizar a vida dos que pensam poder articular à sorrelfa contra o poder constituído, instituições, pessoas. Não podem. Em tempos de Carolina Dieckmann e de internautas politizados, a verdade termina por vir à tona.
Denise Assis é jornalista e colaboradora do Correio do Brasil.